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22/06/2008 - 13h27

Paleontologia, a memória da terra na Gruta do Lago Azul, em Bonito (MS)

 
 

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A Gruta do Lago Azul em Bonito no Mato Grosso Sul, é mundialmente conhecida pela beleza de suas águas azul turquesa que encantam a todos que a visitam. Este lago guarda em seu interior não apenas o azul, que num belo efeito ótico refratado pela luz, faz parecer que estamos diante da reinvenção do paraíso. O lago guarda também, parte da história da evolução de um período recente.

Alguns dos animais que habitavam esta paisagem , que não era muito diferente do que é hoje exceto pelo desmatamento, mediam três metros de altura. Seus filhotes bem menores, assim como veados e antas, eram presas fáceis de ágeis felinos, que com garras e enormes dentes , reinavam absolutos no topo da cadeia alimentar. Tatus do tamanho de um automóvel, Preguiças Gigantes com garras de um metro de comprimento, Toxodontes, Mastodontes, Tigres Dentes-de-Sabre e muitos outros animais percorriam os cerrados destas regiões. Talvez passassem por onde hoje é a rua principal de Bonito e com absoluta certeza, bebiam água do Rio Formoso.

Esta época era o Pleistoceno, que compreende um período maior chamado de Quaternário. Algo entre 10 mil e 2 milhões de anos atrás, que geologicamente falando é um período recente. O período Jurássico por exemplo, no qual viveram os grandes dinossauros, está entre 150 e 200 milhões de anos atrás. Os grandes mamíferos do Pleistoceno foram extintos após a última glaciação e hoje só podemos conhecer seus hábitos e morfologia devido ao estudo de dedicados pesquisadores, baseados em evidências fósseis. A paleontologia é um ramo da biologia que estuda animais extintos. Ossos mineralizados conservados até hoje e que muitas vezes parecem pedaços de rocha, são os fósseis que fornecem subsídios ao estudo dos paleontólogos.

Durante uma expedição de mergulho no inicio dos anos 90, foram encontrados muitos ossos na Gruta do Lago Azul. Os ossos foram filmados e as imagens apresentadas ao Prof. Dr.Castor Cartelle da PUC de Belo Horizonte, que confirmou tratar-se de material fóssil, sendo os ossos possivelmente de Preguiça Gigante e também partes de um carnívoro que ele acreditava ser do Tigre Dentes de Sabre. Estes ossos continuam como estão há milhares de anos, sob a água intocável do Lago Azul.

Saber como eles foram parar ali, saber quantos indivíduos eram e quantas espécies existem realmente no lago, não é tarefa fácil. São ossos de vários animais, espalhados numa faixa que vai de 7 a 30 metros de profundidade, sem que nenhum esqueleto esteja inteiro. Estas questões ainda não podem ser respondidas a não ser com a coleta e o estudo deste material. Somente uma análise detalhada pode revelar o que existe e o que realmente aconteceu nesta caverna.

Vários anos depois, os fósseis incitaram a curiosidade de um outro Paleontólogo, desta vez o Prof da UFRJ, Dr. Leandro Salles, que também é responsável por esta área no Museu Nacional. Ele coordena um projeto chamado Mamíferos do Quaternário do Brasil Central, que promoveu pesquisas na região da Serra da Mesa em Goiás e Serra da Bodoquena no Mato Grosso do Sul. Deste trabalho, já foram identificadas mais de 14 espécies de mamíferos que habitavam a região.

Em Janeiro de 2000 a "Expedição Fósseis", que fazia parte deste projeto, reuniu em Bonito uma elite de pesquisadores que durante 15 dias, assessorados por mergulhadores de caverna, executaram um trabalho então inédito no Brasil, o de prospecção paleontológica em cavernas inundadas.

A caverna em questão era a Nascente dos Fósseis em Bela Vista (MS), que por possuir um potencial de pesquisa maior devido a diversidade de espécies encontradas, teve prioridade na expedição em detrimento do Lago Azul. Um trabalho de coleta de amostras para identificação seria feito também na Gruta do Lago Azul, porém a retirada destes fósseis não foi permitida, ficando portanto guardado por mais alguns anos no fundo do lago, parte do conhecimento sobre a região e a megafauna extinta.

A paleontologia e o conhecimento do passado recente, é muito útil na medida em que muitos eventos cíclicos, assim como grandes variações climáticas, podem ser conhecidos e estudados. A observação destes eventos e as mudanças ambientais causadas pela influência do homem, podem alertar para tomada de decisões e atitudes que visem preservar o que ainda não está extinto. De tempos em tempos a terra passa por várias mudanças, é um processo natural que o ser humano não precisa e nem deve antecipar.

Tatu Gigante - Pampatherium paulacouto
Preguiça Gigante - Eremotherium laurillardi
Tigre Dentes de Sabre - Smilodon populator
Toxodonte - Toxodon platensis
Mastodonte - Haplomastodon sp.

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